| Perguntas e respostas - Nutrição Pet. (novo!) | |
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SUMÁRIO - Clique na pergunta para ler a resposta. |
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-C-
Conservação da ração.
C.1 - Como deve ser feito o armazenamento de grandes quantidades de rações em pet shops ?
C.3 - Quais são as disfunções mais comuns nos pets em razão à má conservação do alimento?
C.4 - Cuidados na hora de comprar a ração: o que observar na loja?
C.5 - Como armazenar a ração em casa para que ela esteja sempre saborosa e livre de problemas?
- E -
Escore de condição corporal.
E.2 - Como se faz a determinação do escore de condição corporal de cães e gatos?
Excesso na alimentação; sobrealimentação
E.4 - Quais as conseqüências de ingestão de alimento em excesso?
- G -
Granel, ração vendida à granel.
G.1 - Por que não se deve usar ração vendida à granel?
G.2 - A ração vendida à granel está mais sujeita a fraude?
G.3 - Por que e como a ração vendida à granel representa risco à saúde dos animais?
G.4 - A ração vendida à granel tem qualidade nutricional pior?
OBS.: Leia também entrevista com M.V. Luiz Luccas que menciona o tema.
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- M -
Metais, presença em rações.
- O -
Onívoro, cães são.
- P -
Pelos - qualidade dos; queda dos; brilho dos.
- Q -
Quantidade de alimento a ser oferecida.
Q.2 - Não basta seguir simplesmente a recomendação dada pelo fabricante da ração no rótulo do produto?
Q.5 - Como determinar então a quantidade INICIAL de alimento que determinado animal deve ingerir por dia? |
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| Para citar os textos presentes nesta página: | |
Os textos abaixo estão disponíveis para uso individual para estudos. Não estão disponíveis para impressão de qualquer tipo ou publicação em outros sites ou de qualquer outra forma sem citação explícita da fonte. Obrigado por respeitar os direitos autorais. |
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Para citar estes textos em Referências Bibliográficas, seguir como no exemplo abaixo: CARCIOFI, A.C. Por que é importante o médico veterinário prescrever a quantidade de alimento que o animal deve comer? [on line] Disponível em: http://www.nutricao.vet.br/fac.php. Acesso em (dia) (mês) (ano). |
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| Conservação da ração. [assunto geral] | |
C.1 - Como deve ser feito o armazenamento de grandes quantidades de rações em pet shops ? Elas devem ser colocadas sobre paletes apropriados, distantes das paredes pelo menos 30cm. Nao se deve furar os sacos de racao, prática comum que tem o objetivo de retirar o ar interno da embalagem, facilitando o armazenamento. Isto permite a troca de ar aumentando a degradação pelo oxigênio e a entrada de insetos na racao.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 2 de março de 2011. |
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| Conservação da ração. [assunto geral] | |
C.2 - Quais são os riscos de contaminação ou desenvolvimento de micro-organismos em contato com a umidade? A ração sai da fábrica com umidade e atividade de água controlados. Isto é fundamental para assegurar ao produto estabilidade e a vida de prateleira programada, usualmente entre 12 e 18 meses.
O produto passa por uma secagem industrial, processo que envolve muita tecnologia. Acondicionada em local impróprio, sobre o chão, em contato com a parede, local muito úmico, havendo perfurações no saco, etc., ocorre o contato das particulas do alimento com água ou vapor dágua. Isto promove hidratação do alimento e esta água extra permite atividade metabólica de microorganismos que passam a crescer. Em baixa umidade, crescem mais fungos e leveduras. Se a umidade se elevar muito, crescem também as bactérias. Estes microorganismos "se alimentam" da ração, ou seja, utilizam seus nutrientes para crescer, reduzindo drasticamente o valor nutricional do alimento.
Como produto de seu metabolismo, muitos microorganismos liberam toxinas, que riscos de graves intoxicações diretas. Neste processo, também, produzem-se peróxidos e outras substâncias que, além de tóxicas, degradam vitaminas e ácidos graxos. O resultado final é a perda do valor nutricional da ração e sua contaminação com toxinas importantes.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 2 de março de 2011. |
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| Conservação da ração. [assunto geral] | |
C.3 - Quais são as disfunções mais comuns nos pets em razão à má conservação do alimento? O primeiro sinal é a rejeição da ração. Estas alterações químicas modificam o cheiro e o gosto da ração e cães e gatos passam a rejeitá-la. Este é o primeiro sinal a que o proprietario deve estar atento.
Caso ele ingira a ração, disturbios grastrointestinais como vomitos e diarreias sao comuns. São mecanimos fisiologicos de eliminar do corpo o que esta lhe prejudicando. Intoxicações crônicas, pelo consumo prolongado destes alimentos deteriorados ocasionam imunossupressão e quando esta esta presente, o cão ou gato irá demonstrar maior ocorrencia de doenças infecciosas em geral.
Ocorre tambem degradação da qualidade da pele e pelos, com pelagem descolorida, aspera, cheia de descamações, oleosidade e mau cheiro. Estes sintomas indicam importante desnutrição, provocada pela perda da qualidade nutricional da dieta contaminada.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 2 de março de 2011. |
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| Conservação da ração. [assunto geral] | |
C.4 - Cuidados na hora de comprar a ração: o que observar na loja? Não comprar ração a granel. Esta prática é muito comum no Brasil, mas ilegal e incorreta. Inclusive sai mais caro ao proprietario do que a compra de embalagens maiores fechadas.
Não compre raçõoes com embalagem violada, só adquira produtos com embalagem íntegra.
Não compre produtos em estabelecimentos sujos, com falta de higiene. Se a parte exposta está suja, como deve estar o deposito ao qual o cliente não tem acesso? Sacos de ração empoeriados demonstram estocagem incorreta.
Não compre produtos armazenados em local onde ocorre incidência de sol ou que estejam submetidos a calor devido à presença de equipamentos ou máquinas que aqueçam o ambiente.
Não compre produtos armazenados onde a umidade é alta, onde há vazamentos de água pelo chão ou goteiras vizíveis.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 2 de março de 2011. |
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| Conservação da ração. [assunto geral] | |
C.5 - Como armazenar a ração em casa para que ela esteja sempre saborosa e livre de problemas. Armazene o alimento em sua casa em um local apropriado. Nao o coloque em local umido, como a lavanderia, nem em local onde haja incidencia de sol.
Não compre mais ração do que irá consumir em 1 ou 2 meses. Sacos abertos em casa por longo periodo irão favorecer a perda de palatabilidade e qualidade da dieta.
Armazene a ração no saco comercial ou em embalagem plástica com tampa. É muito importante que o alimento, após aberto, fique sempre muito bem tampado. Além de protegê-lo e mantê-lo limpo, isto evita a volatilização dos aromas, o que ocasionaria perda de sabor.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 2 de março de 2011. |
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| Escore de condição corporal [assunto geral] | |
E.1 - Por que é importante que o médico veterinário determine o escore de condição corporal do animal em toda consulta? Não é suficiente pesar o animal? Um animal pode estar mais pesado em um consulta, por exemplo, devido à retenção de líquidos, retenção de fezes, aumento de massa muscular, por ter crescido – se é um filhote em crescimento - , por estar prenhe, ou, finalmente, por estar com maior presença de gordura em seu corpo.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Escore de condição corporal [assunto geral] | |
E.2 - Como se faz a determinação do escore de condição corporal de cães e gatos? Através de observação e palpação de alguns pontos do corpo do cão ou do gato é possível determinar maior presença ou ausência de gordura. Como forma de tornar esta avaliação mais objetiva, foram desenvolvidos alguns métodos que descrevem quais pontos devem ser observados e palpados e como classificar a quantidade de gordura percebida em cada um deles.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Escore de condição corporal [assunto geral] | |
E.3 - O proprietário do animal precisa compreender a situação de seu animal quando ele está com escore de condição corporal fora do ideal? É muito importante que o proprietário do animal esteja comprometido com a saúde e bem estar deste. Adequada condição nutricional, leva ao bem estar e saúde. A questão é que poucos proprietários reconhecem seus animais como obesos. Eles tendem a subestimar a condição corporal dos cães e gatos e mesmo a achar “bonitinho” o excesso de gordura. O médico veterinário tem papel importante na conscientização das pessoas e em esclarecê-las e motivá-las a alimentarem corretamente seus animais de estimação. Neste sentido, figuras e definições simples, como as do site nutrição.Vet, nos parecem ótimas ferramentas para apoio aos veterinários durante seu diálogo com os proprietários.(*)
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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(*) O nutrição.Vet possui uma ferramenta eletrônica de livre acesso que auxilia o médico veterinário na determinação do escore de condição corporal de cães e gatos e que em breve estará no ar.
Ela é baseada nas publicações científicas: Mawby, D., Bartges, J.W., Moyers, T., et. al. Comparison of body far estimates by dual-energy x-ray absorptiometry and deuterium oxide dilution in client owned dogs. Compendium. 2001. 23 (9A):70.; Laflamme DP. Development and Validation of a Body Condition Score System for dogs. Canine Practice. 1997. 22:10-15.; Kealy, et. Al. Effects of diet restriction on life span and Age-Related changes in Dogs. JAVMA. 2002. 220:1315-1320. |
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| Excesso na alimentação; sobrealimentação [assunto geral] | |
E.4 - Quais as conseqüências de ingestão de alimento em excesso? Este é o problema mais freqüente na prática clínica hoje em dia, mais comum do que a ingestão insuficiente e um dos principais motivos pelos quais o médico veterinário deve acompanhar a cada consulta o peso e escore corporal dos pacientes.
A obesidade em cães e gatos ocorre porque os proprietários deixam o alimento à disposição do animal e/ou lhes dão petiscos e comida caseira ao longo de todo dia. A obesidade em animais de estimação é um problema hoje em todo o mundo, também no Brasil, e resulta em doenças articulares, déficit respiratório, diminuição de atividade, aumento da incidência de câncer e diminuição da expectativa de vida.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Excesso na alimentação; sobrealimentação [assunto geral] | |
E.5 - Cães filhotes de raças grandes e gigantes como pastor alemão, dog alemão, labrador, rottweiller e tantas outras, merecem mais cuidado quanto à alimentação em excesso na fase de crescimento? Sim. O senso comum muitas vezes leva o proprietário a pensar que se o animal tem de crescer muito, pois pertence a uma raça grande, então tem de comer muito. Isso é um erro.
Filhotes de cães de raças grandes e gigantes devem crescer devagar, devem crescer magros, sem super alimentação e - se são saudáveis - sem suplementação de cálcio
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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G |
| Granel, ração vendida à granel [assunto geral] |
G.1 - Por que não se deve usar ração vendida à granel? Os alimentos industrializados vendidos a granel, comumente são vistos em várias regiões do país e podem sim gerar risco para a nutrição saudável dos animais. A indústria pet food se utiliza de embalagens altamente resistentes para ensacar seus produtos a fim de evitar contaminações e a oxidação do alimento desde sua saída da fábrica até o consumidor. A embalagem também ajuda a conservar o sabor e o cheiro do alimento que contém. Quando o lojista abre essa embalagem para vender o alimento a granel retira todos os cuidados até então realizados para a obtenção de um alimento seguro.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 25 de março de 2011. |
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| Granel, ração vendida à granel [assunto geral] |
G.2 - A ração vendida à granel está mais sujeita a fraude? Sim. Uma vez aberta a embalagem o consumidor não tem mais segurança do que ela contém.
Não é impossível ao lojista fazer o chamado 'misturão': misturar rações com prazo de validade vencido e não vencido, rações de qualidades diferentes, rações de fabricantes diferentes, rações inclusive que não sejam devidamente registradas no MAPA. Tudo isso ele pode recolocar em uma embalagem de produto conhecido, com data de validade no prazo e vender como se fosse aquele produto.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 25 de março de 2011. |
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| Granel, ração vendida à granel [assunto geral] |
G.3 - Por que e como a ração vendida à granel representa risco à saúde dos animais? O contato do alimento com o oxigênio presente no ar permite que ocorra a oxidação das gorduras presentes nesta ração. Quando a ração permanece aberta, em contato com o ar por longos períodos, esta oxidação acontece em maior quantidade. Na embalagem há polímeros apropriados para impedir a entrada de oxigênio. A oxidação das gorduras gera radicais livres que são elementos tóxicos e causam dano celular, câncer, depreção do sistema imune e envelhecimento precoce. A oxidação da gordura também diminui o valor energético da ração.
O controle de ratos, baratas e outros insetos deve ser preocupação constante de quem estoca ração. O alimento industrializado - a ração - de cães e gatos possui odor e sabor muito atraentes e os ratos têm olfato e paladar apurados. A ração descoberta ou coberta por algo que seja facilmente removível tem enorme possibilidade de ser visitada por ratos e insetos. Estes animais podem carrear mecanicamente agentes contaminantes que serão semeados neste alimento que depois será consumido pelo cão ou pelo gato. O rato, mais especificamente, tem como comportamento natural defecar e urinar enquanto se alimenta. A urina do rato é potencial transmissora de leptospirose.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 25 de março de 2011. |
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| Granel, ração vendida à granel [assunto geral] |
G.4 - A ração vendida à granel tem qualidade nutricional pior? O contato do alimento com o oxigênio presente no ar permite que ocorra a oxidação das gorduras presentes nesta ração. Além de esta reação química gerar radicais livres que diretamente afetam negativamente a saúde dos animais ela faz com que caia o valor energético da ração.
Um produto que fique exposto ao ar e à luz terá menor quantidade de vitaminas e menor valor energético do que o mesmo produto que foi conservado adequadamente dentro de sua embalagem.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 25 de março de 2011. |
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M |
| Metais, presença em rações. [assunto geral] |
M.1 - Boa tarde! Prezados, gostaria de saber se há informações sobre os níveis máximos e mínimos de metais presentes em rações para cães e gatos? Há alguma lei ou norma que determina esses valores? [questão enviada ao site] O Ministério pela Instrução Normativa n.30 exige que sejam declarados no rótulo os valores minimos/maximos de cálcio e mínimo de fósforo no campo "Níveis de garantia" do produto. Os demais macroelementos não são exigidos pelo MAPA que sejam colocados nos "Níveis de Garantia" (Sódio/Potássio/Enxofre/Cloro/Magnésio).
Com relação aos microelementos, assim como todas as vitaminas 'adicionados intencionalmente' no alimento, estes devem ter seus valores mínimos esperados declarados no campo "Enriquecimento por quilograma de produto" (Ex: selênio /zinco /cobre /manganês /ferro /iodo /cobalto /cromo...).
Um fato importante na interpretação dos valores declarados é que os macroelementos (cálcio e fósforo) devem ter sua concentração total declarada (valor resultante da soma deste mineral em todos os ingredientes, incluindo o premix) e os microelementos devem ter apenas os níveis adicionados separadamente no produto (apenas os valores esperados baseando-se nas concentrações deste mineral no premix utilizado, desconsiderando suas concentrações nos demais ingredientes usados na formulação).
Apesar do MAPA não apresentar uma tabela com os valores mínimos e máximos destes elementos que devem ser contidos nos alimentos, os nutricionistas das empresas baseiam-se em tabelas de recomendações nutricionais elaboradas por Órgãos especializados no assunto, tais como AAFCO e FEEDIAF no exterior e, aqui no Brasil, a ANFALpet, que utiliza as recomendações nutricionais da AAFCO para todos os minerais considerados essenciais (doze minerais ao todo).
A Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (ANFALpet), publica anualmente um Manual do Programa Integrado de Identidade e Qualidade em petfood (PIQPET), que pode lhe interessar. Este Manual pode ser adquirido comercialmente.” .
Resposta do Prof. Dr. Ricardo S. Vasconcellos, docente da UDESC – SC. Ele concluiu Pós-doutoramento em nutrição de cães e gatos na UNESP Campus de Jaboticabal em 2010 e é primeiro autor do melhor trabalho científico apresentado no Congresso CBNA 2011 e primeiro autor de trabalho científico publicado na mais prestigiada revista da área, Jounal of Nutrition. Por email em 11 de agosto de 2011. |
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O |
| Onívoro, cães são. [assunto geral] |
O.1 - Tendo em vista a especialização de dentes (caninos e molares não chatos), o movimento mandibular apenas de corte (sem deslocamento lateral), a ausência de amilase na saliva e o comprimento do trato intestinal que tornam necessário o processamento de grãos e matérias vegetais, gostaria de saber se cães se enquadram como carnivóros prioritários com disposições onívoras, puramente carnívoros ou puramente onívoros? [questão enviada ao site] Diferentemente do que ocorre em numerosas espécies ruminantes e herbívoras, em cães a ingestão do alimento se dá pela deglutição de grandes bolos de comida, após pouca ou nenhuma mastigação.
Ao exame dos dentes de cães encontramos número de incisivos e igual ao de outras espécies carnívoras. A boca do cão, porém, contém mais pré-molares e molares e a esses dentes se associa o aumento da mastigação e esmagamento do alimento. Esta característica é indicativa de uma dieta com maior conteúdo de matéria vegetal, o que possibilita sugerir uma dieta mais onívora.
A falta do início do processo de digestão de frações amiláceas na boca não impede que as mesmas sejam hidrolizadas e absorvidas no segmento proximal e distal do intestino delgado, já que outras enzimas hidrolizam o amido nessas porções do trato gastrointestinal. Fora essa porção dos hidratos de carbono (carboidratos energéticos) há outra importante fração que não tem ação enzimática no organismo dos cães: a fibra. Esses carboidratos estruturais são hidrolizados pela ação de enzimas produzidas pela microbiota do cólon e convertidos para produção de ácidos graxos de cadeia curta, importantíssimos na manutenção de colonócitos.
Apesar de o cão muitas vezes ser confundido com outros carnívoros, como o gato, a espécie evoluiu até consumir uma dieta mais onívora do que os felinos. Vários estudos relatam uma correlação entre características intestinais, dietas naturais selvagens e necessidades de nutrientes e estes apontam para uma dieta onívora para cães.
Vale ressaltar que algumas famílias de canídeos têm sua dieta composta por mais de 70% de frutas e leguminosas. Portanto, cães são onívoros.
Literatura consultada: 1) NRC - Nutrient Requirements of Dogs and Cats. National Research Council. The National Academy Press: Washington, D.C. 2006. 398p. 2) CASE, L.P.; CAREY, D.P.; HIRAKAWA, D.A. Carbohydrates. In: CASE, L.P.; CAREY, D.P.; HIRAKAWA, D.A. Canine and feline nutrition: a resource for companion animal professionals. St. Louis: Mosby-Year Book, 2000. p. 17-94. 3) BURROWS, C. F. et al. Effects of fiber on digestibility and transit time in dogs. Journal of Nutrition, v. 112, n. 9, p. 1726-1732, 1982.
Resposta do médico veterinário Fabiano César Sá. Mestre pela FCAV - Unesp - Jab. sob orientação do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi, atualmente é doutorando na mesma instituição na área de concentração nutrição e nutrição clínica de cães e gatos. Resposta por email em 17 de agosto de 2011.
Informação adicional da médica veterinária Cristiana Prada formada na FMVZ-USP, mestre em ecologia e recursos naturais pela UFSCAR, fornecida em 21/11//2011:
Em meu trabalho de mestrado analisando atropelamento de fauna em rodovias do nordeste do estado de SP encontrei diversas vezes lobos-guarás atropelados. À necrópsia, muitas vezes encontramos em seu conteúdo estomacal aves inteiras, inclusive galinhas domésticas. O conteúdo do estômago destas aves, grande quantidade de grãos crus, era engolido inteiramente pelos lobos, passando - portanto - a fazer parte também da dieta do próprio predador. Logicamente também as enzimas digestórias constantes do trato gastro-intestinal das aves eram ingeridas. Outro dado é que tenho 4 cães em uma área grande de chácara. Com grande frequencia, por mais que eu tente evitar, eles devoram pombas de vida livre que caçam no quintal. Ingerem as aves inteiras com bicos, pés, penas, unhas, ossos, cartilagens e conteúdo do papo, deixando de deglutir somente 3 ou 4 penas que restam no chão.
Literatura interessante a respeito:
Mayra Pereira de Melo AmboniDieta, disponibilidade alimentar e padrão de movimentação de lobo-guará, Chrysocyon brachyurus, no Parque Nacional da Serra da Canastra, MG. Dissertação Mestrado UFMG. Belo Horizonte, MG, 2007.
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P |
| Pelos, queda dos; qualidade dos; brilho dos [assunto geral] |
P.1 - Qual a mellhor ração para evitar queda de pelo de um chow chow... e outra dúvida, gostaria de saber se os chow chows são cães de porte médio ou porte grande? [questão enviada ao site] A queda de pêlos no Chow Chow assim como em outras raças pode ser ocasionada, dentre outros fatores por alimentos de qualidade inferior que são pouco aproveitados pelo organismo do animal. O mais indicado é que se ofereça uma ração de boa qualidade, do tipo super premio ou mesmo premio, a qual é completa e balanceada e contem ingredientes de boa qualidade. Algumas opções seriam as seguintes: Guabi Natural Cães adultos, Royal Canin Medium Formula, Premier Formula (super premio) ou Sabor e Vida (Guabi), Golden Formula (Premier). É importante lembrar que essas rações apresentam alta densidade calórica e devem ser oferecidas em quantidades adequadas de acordo com o peso do cão para evitar obesidade e, outros alimentos e petiscos em excesso devem ser evitados para não desbalancear a ração.
Resposta da médica veterinária Michele C. Oliveira. Ela cumpriu dois anos de residência em nutrição clínicade cães e gatos junto ao hospital veterinário da FCAV-Unesp - Jab. sob orientação do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi e atualmente é mestranda na mesma instituição na área de concentração nutrição e nutrição clínica de cães e gatos. Resposta por email em 21 de novembro de 2011. |
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| Quantidade de alimento a ser oferecida [assunto geral] |
Q.1 - Por que é importante o médico veterinário prescrever a quantidade de alimento que o animal deve comer? Não é só alimento incompleto ou desbalanceado que leva à obesidade e outros distúrbios de origem nutricional. A quantidade de alimento ingerido é igualmente importante. Um alimento completo e balanceado ingerido em quantidade insuficiente ou em excesso, vai gerar problemas de saúde e queda na expectativa de vida. Não basta escolher o alimento, é preciso acompanhar a quantidade ingerida ao longo de toda a vida do animal.
Ou seja: o veterinário para fazer corretamente o manejo alimentar do cão ou gato deve sempre incluir dois pontos em sua recomendação: o que prescrever, o seja, qual o alimento industrializado que melhor se ajusta às necessidades do paciente; quanto prescrever, ou seja, qual quantidade daquele alimento o paciente necessita. Sem responder o que e quanto a abordagem será sempre incompleta.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Quantidade de alimento a ser oferecida [assunto geral] |
Q.2 - Não basta seguir simplesmente a recomendação dada pelo fabricante da ração no rótulo do produto? Por mais sérias e comprometidas com a qualidade que sejam muitas empresas fabricantes de alimentos para cães e gatos, é impossível a elas prever todos os casos particulares de seus consumidores.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Quantidade de alimento a ser oferecida [assunto geral] |
Q.3 - É possível por meio de cálculos se determinar a quantidade EXATA de alimento que cada animal precisa? Não. E isso é importante: nenhum animal é exatamente igual ao outro. Não há pessoas que comem pouco e engordam e pessoas que comem muito e são magérrimas – para despeito dos gordinhos -? Com os animais ocorre o mesmo. A necessidade de energia dos indivíduos é muito variável e as recomendações são médias medidas em determinadas populações e precisam sempre ser ajustadas para um indivíduo em particular. É preciso sempre partir de uma quantidade que a teoria indica como ideal e acompanhar o animal, pesando e determinando seu escore de condição corporal ajustando se necessário a quantidade de alimento fornecida.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Quantidade de alimento a ser oferecida [assunto geral] |
Q.4 - Após a recomendação inicial da quantidade a ser oferecida ao animal, como fazer os possíveis ajustes necessários? Partimos do princípio de que o cão ou gato em questão está com escore de condição corporal ideal, ou seja, não precisa ganhar nem perder peso e que ele não está em crescimento, não está gestando, nem aleitando ou doente. Após a primeira prescrição da quantidade diária de alimento a ser oferecida ao animal, o médico veterinário procederá à pesagem do animal e estabelecimento do escore de condição corporal em retornos de 15 e 30 dias. Se o animal estiver perdendo peso, a quantidade a ser oferecida deve ser aumentada um pouco. Se ele estiver ganhando peso, a quantidade deve ser um pouco diminuída. A todo retorno do animal, reavaliar todas as condições que podem influir na sua necessidade de aporte de energia.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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| Quantidade de alimento a ser oferecida [assunto geral] |
Q.5 - Como determinar então a quantidade INICIAL de alimento que determinado animal deve ingerir por dia? Partimos do princípio de que o animal está sendo alimentado com alimento completo, balanceado e com adequadas condições sanitárias. O médico veterinário precisa reunir informações sobre o animal e o alimento. Em relação ao alimento necessita saber sua composição nutricional, quanto de proteínas, gorduras, fibras, matéria mineral e água apresenta. Nos alimentos comercializados, obrigatoriamente estas informações estão presentes no rótulo. Com estas informações é possível se estimar a quantidade de energia metabolizável por grama daquele alimento. Quanto ao animal é necessário saber seu peso corporal, idade, raça, condição corporal, estado fisiológico e estilo de vida, informações que permitirão ao veterinário estimar quantas calorias aquele cão ou gato necessita por dia. Normalmente estas estimativas se baseiam nas recomendações do Nutrient Requirements of Dogs and Cats, cuja última edição foi em 2006. Juntando as duas informações, o médico veterinário consegue calcular a quantidade necessária daquele alimento para aquele animal específico.
Colaboramos com o site nutrição.Vet na construção que ele fez de uma ferramenta eletrônica de cálculo da quantidade diária de alimento, que está disponível gratuitamente e que realiza estes cálculos de maneira automática. O médico veterinário só precisa alimentar a ferramenta com informações simples e obterá um resultado. A ferramenta eletrônica, entretanto, não substitui a decisão final do profissional sobre qual a quantidade a ser prescrita.
Resposta do Prof. Dr. Aulus C. Carciofi em entrevista em 24 de março de 2011. |
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nutrição.VET